sexta-feira, 30 de abril de 2010

Bibliotecas de São Paulo receberão a Bíblia completa em Braile

Neste sábado, 1º de maio, a Prefeitura de São Paulo fará a entrega da Bíblia completa em braile para a Biblioteca Louis Braille. O evento, programado para as 16h30, integra as comemorações pelos 63 anos deste espaço. Planejado e equipado para atender a deficientes visuais, foi instalado desde 1986, no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Além da Biblioteca Louis Braille, outras seis bibliotecas municipais contarão, em breve, com o livro mais lido de todos os tempos, numa ação da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED).

Composta por 38 volumes, a Bíblia completa em braile é produzida pela Sociedade Bíblica do Brasil, na Imprensa Braile, integrada à Gráfica da Bíblia – localizada na Sede Nacional da entidade, também no município de Barueri. Com texto bíblico na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, uma tradução que adota estrutura gramatical e linguagem mais próximas da falada pelo brasileiro, foi idealizada com o objetivo de ser mais acessível à maioria das pessoas com deficiência visual, alfabetizadas em braile.

A entrega da Bíblia em braile integra as ações de inclusão cultural da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED). Por sua importância e pioneirismo, a Biblioteca Louis Braille do Centro Cultural São Paulo foi escolhida para receber a primeira edição, que será entregue pelo secretário da SMPED, Marcos Belizário.

Os volumes da Bíblia em braile são fornecidos gratuitamente pela Sociedade Bíblica do Brasil aos deficientes visuais cadastrados no programa A Bíblia para a Pessoa com Deficiência Visual, desenvolvido pela SBB há mais de 15 anos. Ao ampliar a oferta de literatura bíblica em formato adequado para esse público, o programa tem contribuído no processo de inclusão social, desenvolvimento cultural, amparo espiritual e na reabilitação das pessoas com deficiência visual.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Comunicação que Transforma

Fato: há dias em que me sento na igreja e parece que estou ali apenas para esperar que o culto acabe. A palavra se arrasta por mais tempo que o necessário.
 
Fato: há dias em que eu proporciono isso nas pessoas que estão me ouvindo falar. A palavra se arrasta por mais tempo que o necessário, lidando com situações que, muitas vezes, não fazem parte da realidade de minha congregação.

Diante destes dois fatos, fica a pergunta: onde erramos? Onde nós, pregadores, ministros da Palavra, portadores da maravilhosa mensagem do Deus de amor, deixamos que esta mensagem se torne uma obrigação, deixando de ser um prazer servi-La?

Acho que todos nós, em certo momento de nossas vidas, precisamos de um “Will Graham” cruzando nosso caminho e nos mostrando onde estamos errando e como podemos fazer para acertar.

Este Will Graham é a personagem que auxilia um pastor que está passando por isso no livro “Comunicação que Transforma” (Andy Stanley e Lane Jones - 2010 - Editora Vida), que fala sobre o grande problema que se encontra todos os domingos atrás dos púlpitos de nossas igrejas: nós mesmos.

Com lições simples, apresentadas com uma eficiente metáfora (não vou estragar a surpresa, mas quem trabalha com logística, como eu, vai amar!), Andy e Lane nos conduzem a um novo entendimento do motivo de estarmos ali todos os domingos. Uma nova revelação? Não. Um novo entendimento, como um abrir de olhos para o verdadeiro propósito de nosso cuidado: restaurar vidas.

Em sete imperativos eles nos mostram como podemos melhorar a nossa sintonia com o povo que está ansioso para ouvir o que Deus tem a dizer sobre os problemas que enfrentam.

Um tópico, este é o segredo. Sete imperativos, este é o meio de melhorar nossa comunicação. Realmente Will Graham estava certo em sua abordagem, tendo como grande alvo alcançar e transformar as pessoas à sua volta.

E nós? O que estamos procurando quando nos colocamos bem vestidos atrás dos púlpitos de nossas igrejas? Procuramos nossa própria satisfação? Os tapinhas nas costas após o culto, o elogio à palavra ministrada no domingo? Ou procuramos a transformação de nossos irmãos na segunda-feira, quando estão vivendo realmente a vida que têm que viver, com a mensagem que pregamos no domingo profundamente incutida em seus corações? É algo para cada pregador pensar.

Sobre os autores
ANDY STANLEY é pastor titular da North Point Community Church, em Alpharetta, na Geórgia. Formado pelo Seminário Teológico de Dallas, fala semanalmente a mais de 15 mil pessoas. É autor de vários best-sellers, entre eles O líder da próxima geração e Visão: força motriz da organização, publicados por Editora Vida.

LANE JONES é diretor do campus de Browns Bridge Community Church, um dos ministérios da North Point. É coautor de Seven Practices of Effective Ministries. Formado pelo Seminário Teológico de Dallas, Lane mora na região de Atlanta.

Andy Stanley e Lane Jones
Editora Vida
2009

sábado, 24 de abril de 2010

Comunicação é tema do VI Fórum de Ciências Bíblicas

Tradicionalmente realizado no mês de junho, no Museu da Bíblia, o evento enfocará as diferentes formas de comunicação relacionadas às Sagradas Escrituras.

O Livro Sagrado e as variadas formas de comunicação e difusão de seu conteúdo no mundo atual serão o mote da sexta edição do Fórum de Ciências Bíblicas, que acontecerá nos dias 10 e 11 de junho, no Museu da Bíblia, em Barueri (SP). Promovido pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), o evento terá como tema "Bíblia e Comunicação", contando com oito palestras apresentadas por especialistas no assunto, além de espaço para sessões de perguntas e respostas.

É estimulante perceber que, a cada edição, o evento vem despertando um maior interesse no público que nos prestigia. Neste ano, o tema Comunicação, por sua atualidade, acarretará, com certeza, um estimulante debate em torno Sagradas Escrituras”, projeta Erní Seibert, secretário de Comunicação e Ação Social da SBB. As palestras abordarão desde o processo de atualização constante da tradução, passando pela utilização de meios de comunicação como rádio e TV, até manifestações virtuais e digitais do conteúdo bíblico.

Realizado tradicionalmente em junho, aniversário de fundação da SBB, o Fórum de Ciências Bíblicas é voltado a professores e estudantes de Teologia, Ciências da Religião e Linguística, estudiosos da Bíblia, lideranças religiosas e cristãos em geral.
Confira a programação completa:
 
10 de junho – quinta feira

:: 15h – Bíblia e Comunicação: O painel de introdução ao tema fará uma reflexão da Bíblia como instrumento de comunicação. Além da tradicional compreensão sobre a comunicação entre Deus e os seres humanos, a palestrante abordará a capacidade e o desejo do homem em, desde sempre, comunicar, expressar e testemunhar a comunhão com Deus, por meio da expressão oral e escrita.
Magali do Nascimento: Doutora em Ciências da Comunicação e professora de Teologia da Universidade Metodista.
 
:: 16h30 – A Bíblia e a Comunicação pelo Rádio: A palestra traçará um paralelo histórico entre os conceitos de comunicação atual pelo rádio e o processo de comunicação apresentado pela Bíblia, que também engloba uma linguagem parecida com a do rádio.
Valdecir Simões Lima: Teólogo e professor do Seminário Adventista de Teologia e Centro Universitário Adventista de São Paulo.

:: 18h – A SBB e o seu programa voltado aos estudos em Bíblia: Este módulo terá uma apresentação aprofundada sobre os programas da organização voltados ao estudo da Bíblia.
Equipe SBB
 
:: 20h – Elementos de Comunicação na Tradução Bíblica: O objetivo da palestra é mostrar que o processo de tradução bíblica também se desenvolve como ato comunicativo, tanto para quem traduz como para quem ouve ou lê a tradução. O preletor observará, ainda, a importância das traduções exatas à mensagem do original bíblico e, ao mesmo tempo, fiéis ao entendimento do leitor e ouvinte.
Vilson Scholz: Doutor em Novo Testamento e consultor de Tradução da SBB.

11 de junho - sexta-feira

:: 15h – A Bíblia e a Comunicação Virtual: A palestra pretende derrubar alguns mitos relacionados à Internet e mostrar as possibilidades que ela oferece para a difusão do conteúdo bíblico.
Sérgio Pavarini: Jornalista, blogueiro e especialista em marketing digital.

:: 16h30 – Comunicação Digital da Bíblia: O painel destacará a importância de conectar o texto bíblico com uma nova geração nascida na era da Internet, além de mostrar o poder da mídia interativa para comunicar a Palavra de Deus.
Nelson Saba: Especialista em tecnologia e criador de programas de mídia digital e interativa da Bíblia.

:: 18h – A SBB e o seu Programa de Comunicação: Neste painel, serão tratadas as ações da organização pela difusão da Bíblia, bem como as necessidades inerentes à Causa da Bíblia.
Equipe SBB

:: 20h – A Bíblia e a Comunicação pela TV: A palestra vai expor, por meio de vídeos, a trajetória das Escrituras na TV desde os primórdios desse meio de comunicação até os documentários bíblicos mais recentes em canais como Discovery e National Geographic. Ao final, o palestrante pretende fazer um questionamento crítico sobre os formatos atuais de programas da Bíblia na televisão e seus resultados diante dos telespectadores cristãos.
Éber Cocarelli: Pastor, professor de Teologia e apresentador da RIT-TV.

VI Fórum de Ciências Bíblicas
Tema: Bíblia e Comunicação
Local: Museu da Bíblia
Endereço: Av. Pastor Sebastião Davino dos Reis, 672, Vila Porto, Barueri (SP)
Data: 10 e 11 de junho
Horário: 14h30 às 21h30
Inscrição: R$ 30,00 (grupos com mais de dez pessoas têm 50% de desconto)
Informações: (11) 3474-5813

sexta-feira, 23 de abril de 2010

ÍCONE DOS QUADRINHOS, ROBERT CRUMB CONFIRMA PRESENÇA NA FLIP


 
Expoente do movimento underground dos quadrinhos americanos, Robert Crumb é o décimo autor a confirmar presença na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Em sua 8ª edição, e já consagrada como o mais importante evento de literatura do país, a Flip vai acontecer entre os dias 04 e 08 de agosto, na cidade do sul fluminense.
Com um humor sombrio, como bem definiu o crítico literário Harold Bloom, Crumb lançou, no fim de 2009, Gênesis (Conrad Editora) – versão em quadrinhos do mais antigo livro da bíblia. Ousadia à altura do maior quadrinista vivo. Para lançar esta obra, Crumb se dedicou, por mais de quatros anos, aos estudos religiosos – desde as mais diversas leituras sobre o texto bíblico à pesquisa de registros fotográficos da Terra Santa. O resultado são 210 páginas e muita polêmica.
 
Agnóstico declarado e residente na Provença francesa desde 1991, antes de adaptar o livro do Gênesis para os quadrinhos, Crumb já havia transposto obras de Franz Kafka, Charles Bukowski e Philip K. Dick. Entre os títulos publicados no Brasil, Kafka de Crumb (2009/ Editora Sinergia), Fritz, the Cat (2002), Mr. Natural (2004), Mr. Natural vai para o hospício (2005) e Minha Vida (2005) - editados pela Conrad.
 
Nascido na Filadélfia em 1943, Crumb vendeu quadrinhos com a mulher, na época grávida, pelas ruas de São Francisco, colaborou com o roteirista Harvey Pekar nos anos 70, foi tema do documentário Crumb, lançado em 1994 pelo diretor Terry Zwigoff. Em parceria com a esposa Aline Kominsky, produziu quadrinhos autobiográficos publicados pela New Yorker e reproduzidos no Brasil pela revista Piauí.
 
Entre os nomes já confirmados para a edição de 2010 da Flip estão: os ingleses Terry Eagleton e William Boyd, o irlandês Colum McCann, o indiano Salman Rushdie, o israelense Abraham B. Yehoshua, a iraniana Azar Nafisi, o brasileiro Fernando Henrique Cardoso e os americanos Robert Darnton e Lionel Shriver.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Qual a relação da Igreja atual com o Espírito Santo?

Para Francis Chan, autor de Louco amor, publicado em 2009 pela Mundo Cristão, o Espírito Santo é tristemente negligenciado e, em sentidos práticos, até mesmo esquecido. “Ainda que nenhum cristão negue sua existência, posso até apostar que há milhões de frequentadores de igreja em todo o mundo incapazes de dizer, de maneira confiante, que experimentaram a presença ou a operação do Espírito Santo em sua vida nos últimos meses. E muitos deles não acreditam que possam senti-la”.

Este fato motivou Chan a escrever um novo livro, O Deus esquecido, inteiramente dedicado a falar do Espírito Santo. A obra discute o papel do Espírito Santo após a morte e a ressurreição de Jesus; quem realmente é esta pessoa da Trindade; a maneira correta de nos relacionarmos com ele, entre outros temas que transformarão a visão do leitor a respeito do Espírito de Deus.

Muito já se escreveu e se falou sobre a terceira pessoa da Trindade. Contudo, a visão estereotipada e falsa do Espírito (propriedade exclusiva dos carismáticos, ou ilustre desconhecido dos conservadores) persiste entre grande número de cristãos. Mas a questão não para por aí. O puro desinteresse pelo compromisso com Deus e com o próximo tem alimentado a negligência para com o Espírito.

Francis Chan revela o exato senso de urgência da questão. Se a Igreja quiser transformar o mundo, precisa antes transformar-se numa comunidade que viva sob a força renovadora do Espírito Santo. Uma conversão urgente para dar um basta ao cinismo.

O autor incentiva seus leitores a entregarem-se ao poder do Espírito Santo, a fim de que sua vida faça diferença para aqueles por quem Cristo morreu.

"Se eu fosse Satanás e meu objetivo final fosse frustrar os propósitos de Deus e seu reino, uma de minhas principais estratégias seria levar os frequentadores de igrejas a ignorar o Espírito Santo."
Francis Chan

O Deus esquecido - Revertendo nossa trágica negligência para com o Espírito Santo
Autor: Francis Chan - com Danae Yankoski



quarta-feira, 10 de março de 2010

Hoje - Lestics

 
Arte de Guilherme Caldas

Isto é um elogio, apesar de muita gente não concordar. Lestics me lembra um pouco o IRA na época que o Nazi e o Edgar Scandurra gostavam um do outro e amavam fazer música.
Temáticas interessantes, existencialismo aplicado à música. Um folk indie rock criativo que me pegou esta semana.
A banda começou em 2007 quando Olavo Rocha (no vocal) e Umberto Serpieri (diversos instrumentos) resolveram se unir para fazer música. Hoje, agregam a banda, além dos membros originais, Marcelo Patu (no baixo e violão), Felipe Duarte (na bateria e percussão) e Lirinha (na guitarra e violão).
Por que a comparação com o Ira? Sempre considerei o Ira uma banda Folk deslocada no Brasil. Eles se pareciam muito com Zé Rodrix, Sá e Guarabyra, tinham um pouco de Mutantes e bastante pretensão de ser Dylan. Flores em Você, por exemplo, é um ótimo exemplo desta visão.
Lestics dá vários passos à frente, aprimorando, em primeiro lugar, a qualidade musical. Todos os envolvidos são instrumentistas originais. Olavo e Humberto escrevem muito bem, com poesia que lembra Los Hermanos (aliás, uma referência clara para o grupo). O lirismo aplicado ao dia a dia, bem a cara que a folk music tem.
“Hoje” é o mais novo trabalho do grupo paulistano. Os arranjos são simples e, nesta simplicidade, dão espaço para que as letras se destaquem com seu lirismo urbano/rural.
Som recomendado com louvor, e com uma outra vantagem: o download está disponível no site dos caras! E de graça!
Mas eu compraria o disco, se tivesse que pagar por ele.

Visite o site do Les Tics aqui

segunda-feira, 8 de março de 2010

Genesis - Robert Crumb

Para quem realmente gosta de quadrinhos, não gostar de Robert Crumb pode ser quase um sacrilégio. Eu era, então, um pecador. Fora os trabalhos com Harvey Pekar, de American Splendour, nunca gostei do autor do gato Fritz, um dos ícones da contracultura americana.
Até ele resolver desenhar um dos livros mais poderosos da cultura ocidental. A narrativa do Gênesis, primeiro livro da bíblia.
Quando li a notícia que de ele estava trabalhando no Gênesis, não consegui evitar o pensamento “isso não vai dar certo”. Imaginar Crumb respeitando o livro sagrado era como imaginar Hitler tendo uma amante judia, ou o diabo se convertendo e se arrependendo de seus pecados.
Pois não foi que ele o fez? Palavra por palavra, a história está lá. Sem tirar nem por, apenas representada, desenhada de acordo com o que Moisés escreveu conforme Deus lhe falara. A história da origem do mundo e da origem dos povos Hebreu e Muçulmano. O texto escolhido foi a base das três maiores culturas monoteístas do mundo. Não se trata, portanto, de escrito qualquer. Se ainda não tivesse poder espiritual, ainda teria a importância histórica que carrega.
Crumb pesquisou por quatro anos o livro e o tempo daquele povo. Consultou sua cultura, sua história. Pesquisou mais livros, historiadores e fez algo que, muitas vezes, não vemos em adaptações lideradas por cristãos (Crumb é ateu) que é o respeito total ao texto escrito.
A editora Conrad deu tratamento especial para o livro, que tem capa dura, páginas de papel de alta qualidade e tamanho diferenciado, respeitando o tamanho desenhado pelo autor e editado no original.
Por tudo isso, trata-se, no mínimo, de um trabalho curioso. Como já disse sobre ele, serve, para os que não acreditam, para aprender sobre a história da cultura ocidental. Para os que acreditam, dar rosto para personagens tão conhecidos como Abraão, José e outros.

Oscar!


“A festa demorou tanto que Avatar já é coisa do passado”, disse Steve Martin ao encerrar a festa do Oscar na noite de ontem, no Kodak Teather, em Los Angeles. A frase, emblemática na essência, representa a verdade da festa que foi vista: Avatar, um ícone de modernidade com sua técnica em três dimensões estereoscópica que arrebatou os olhos (mas não os corações) de multidões ao redor do mundo não venceu nenhuma das indicações não técnicas a que concorreu, mostrando que, em detrimento da tecnologia, Hollywood espera mais do cinema que se faz.
A noite foi de “Guerra ao Terror” e de Kathryn Bigelow, de Preciosa (que ainda não vi) e de Jeff Bridges. Definitivamente não foi a noite de Avatar e James Cameron.
Aliás, com toda a tecnologia envolvida no projeto, creio que a frase de Steve Martin seja a mais certa. Avatar é cinema do passado, feito de forma antiquada no roteiro, trabalhando com arquétipos, simplista e megalomaníaco. Um projeto que demorou dez anos para sair da gaveta para as telas, o sonho megalomaníaco de um homem, que arrebatou bilhões de dólares ao redor do mundo contando sua historinha para nós.
Por outro lado, Guerra ao Terror não é icônico, nem cheio de modernidade como o rival. Ao contrário, é conduzido com destra firme pela diretora (a primeira mulher a ganhar o prêmio de melhor diretor da academia), extraindo atuações fortes e impactantes, com cenas de ação envolventes e roteiro profundo. Isto, sim, mostrando o que se espera do cinema de amanhã: baixo custo e uma história que fale aos nossos corações.
Guerra ao Terror ganhou, também, como melhor filme, roteiro original e outros prêmios que não lembro. Bigelow estava sentada na cadeira da frente do ex-marido, James Cameron, que pôde ver de camarote o que a academia pensava sobre seu sonho maluco.
A verdade é que, com tudo o que se discutiu acerca do cinema 3D e da revolução que ele apresenta, o bom e velho cinemão é que arrebatou a noite. Palmas para Mo’Nique, Christoph Waltz, Sandra Bulock e Jeff Bridges por suas atuações poderosas. Palmas para Kathrin Bigelow e para a Fox Searchlights, pequeno estúdio independente da gigante da indústria cinematográfica. Palmas para o bom e velho cinema de diretor, mais uma vez, mostrando que é isso que a academia (e nós) queremos ver!

P.S. Palmas para Tarantino, por Bastardos Inglórios, que só levou ator coadjuvante, mas que merecia mais, mas pegou Bigelow pela frente, e entre as guerras que já passamos e as que estamos passando...

Clique Aqui para ver os vencedores

sábado, 6 de março de 2010

O Melhor da Semana


O Melhor da semana, especialmente para quem gosta de arte, seja alternativa ou tradicional! Leia, critique, 
comente, concorde ou discorde! O espaço é seu!


O cinema cria vilões reais e imaginários. Dos imaginários mais recentes, surge ainda em minha mente o coringa de Heath Ledger em Batman: Cavaleiro das Trevas. Porém, neste “Um olhar do Paraíso”, desponta um vilão real, visceral, frio, calculista e maravilhosamente interpretado por Stanley Tucci. O psicopata que ele cria é cheio de maneirismos e trejeitos tão comuns que não se destacam, tão normais que poderiam se passar por nossos vizinhos, ou mesmo nós mesmos. Aplausos, também, para a jovem Saorise Ronan, que carrega o filme inteiro nas costas sem quase interagir com ninguém. Agora, se você acha que é um filme que tem uma lição a ensinar, eu penso, que seja apenas que a vida não vale a pena e que o paraíso (para Peter Jackson, e não para mim, deixo claro) é apenas um gazebo perdido em qualquer lugar.


Ambientes que não visitamos há muito tempo tendem a nos parecer estranhos quando retornamos. A sensação de deslocamento é forte. Em outros ambientes, no entanto, sentimo-nos em casa quando retornamos, quando constatamos que nada mudou.
Este é o caso do Café Teatro Rolidei, no Teatro Municipal de Santos. Fui a uma apresentação sobre o poeta santista Ruy Ribeiro Couto que, devo admitir, não conhecia e que, devo reconhecer, é maravilhoso. O porto cria vida em suas palavras, bem como o cotidiano da cidade portuária, crescendo dentro da ilha e dentro dele, como reminiscência. Podemos sentir a contemporaneidade de sua poesia (escrita no início do século XX) ecoando ainda hoje nos paralelepípedos, nos conteineres e nas sacas sobre as costas dos estivadores.
Tanto Rui Ribeiro Couto quanto o Café Teatro Rolidei me deram uma sensação de lar restaurado de poesia e encanto.


Divórcios são complicados. Você pensa que pode amar alguém até o fim da vida quando, de repente, descobre que não é assim. Então você pensa em todo o tempo investido naquele relacionamento, todas as promessas feitas que não serão cumpridas. O sabor é de coisa incompleta, pontas soltas, situações mal resolvidas. Este é o sabor do filme “Simplesmente Complicado” sobre uma mulher, divorciada há dez anos, que torna-se amante de seu ex-marido, hoje, casado com uma mulher bem mais jovem. Junte a este mar de sentimentos a possibilidade de um novo amor e pronto, temos uma comédia romântica incomum, atípica, saborosa e bem amarrada. Com interpretações geniais de Steve Martin, Alec Baldwin e Maryl Streep e direção segura de Nancy Meyers, vale a pena assistir.



Certos discos e certas músicas demoram muito para serem ouvidas, e quando o são não encontram significado em nossa história. Um caso assim foi Pet Soudns do Beach Boys, que, sinceramente, demorei muito para ouvir e, quando ouvi, fiquei triste de não ter gostado. Não o achei tão revolucionário quanto John e Paul devem te-lo imaginado.
Porém, falando dos mesmos John e Paul, nesta semana ouvi Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band inteiro pela primeira vez. O disco é, no mínimo, épico. Um reflexo de uma época em que o rock and roll não seguia rótulos, não tinha máscaras, não era feito para vender. “Lucy in the Sky With Diamonds” é a perfeita expressão deste sentimento. Como classificar esta música? É certo que não se trata de rock tradicional, mas chamaríamos, hoje de indie rock? Folk? “Being for the Benefit of Mr. Kite!”, então, não pode ser enquadrada de forma nenhuma! Imperdível!
A capa é uma obra de arte por si só. Cada personagem homenageada tem sua história. No link no título você pode ver quem são, um pouco de sua história e muitas curiosidades!



Uma loja de camisetas diferente. Cada camiseta é uma mensagem em si, bem executada, com qualidade e beleza. Desde a luta em prol do meio ambiente até o combate aos invasores marcianos na terra (será?) as camisetas da Red Bug nos colocam para rir e pensar, sempre refletir no que está acontecendo com o mundo à nossa volta. Provocativas, as camisetas são modernas. Espie e você verá!






domingo, 21 de fevereiro de 2010

O Melhor a Semana!

O melhor da semana voltou (quase se torna o melhor do semestre, mas ainda bem que eu consegui um tempo) ! Nesta semana, cinema, quadrinhos, quadrinhos e mais quadrinhos, música e até uma novelinha prá variar!

Divirtam-se!

As Incríveis Aventuras do Pequeno Parker: Junte em um caldeirão Peanuts, Calvin e Hobbes, o Homem Aranha e seu universo e referências aos anos oitenta. Não esqueça de ter um artista talentoso como Vitor Carajé à frente do trabalho. Qual o resultado? As Incríveis Aventuras do Pequeno Parker que, mais que um fanfic, é uma homenagem eficiente, bonita e perfeitamente viável ao amigão da vizinhança Homem Aranha. Cafaggi, brasileiríssimo, é um dos mais talentosos artistas da nova geração de quadrinistas que tem surgido (lista encabeçada por Fabio Moon e Gabriel Bá) no Brasil e se destacado no mundo. Não demora e as historinhas do pequeno Parker estarão surgindo por aí, em outras mídias além da Internet!

Além deste trabalho, Cafaggi participou, também, da coletânea MSP50, que reuniu 50 artistas para homenagear Maurício de Souza e seus 50 anos de quadrinhos. Sinceramente, no meio de gigantes como Laerte, Moon e Ba e outros, a sua história sobre Chico Bento se destaca. Logo teremos uma entrevista dele aqui no Web benção e uma crítica formal, tanto da MSP50 quanto das tirinhas. Por enquanto, convido você a seguir o Blog!

Prá você guardei o amor: O Nando Reis sempre fez músicas lindas. O coração dele transborda nas letras, o que é sensível quando ouvimos composições como Cegos do Castelo ou Me Diga, para ficar nos “Blockbusters” dele. Esta semana, ouvindo a novela das 18h da Globo (Sim! Este crente assiste novelas, e gosta! Inclusive, olhem abaixo e verão algo assustador) me deparei com esta linda canção de amor, cantada, na versão acima, junto de Ana Cañas, uma das cantoras de quem vamos ouvir muito falar (se Deus quiser, mais do que Mallu Magalhães). A música está no disco Dres, do Nando. Vale a ouvida e o pensar!


Genesis de Robert Crumb: E Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e Robert Crumb veio e o fez mais feio, mas mais real e próximo de nosso entendimento. Esta semana comprei o livro do Crumb e, garanto, vale a leitura e o pagamento de cada centavo. Para os que não acreditam, para conhecer a história e ver um dos maiores ícones dos quadrinhos voltando à plena forma. Para os que acreditam, é como se fosse uma nova fronteira sendo descoberta em nosso entendimento: sem cortes ou firulas, o texto bíblico se encontra integralmente interpretado nesta história que Crumb demorou 4 anos e meio para escrever, entre pesquisa e produção. Fica a sugestão de fazerem um livro dos “Atos dos Apóstolos” em arte seqüencial. A história é tão dinâmica e poderosa quanto o princípio de todas as coisas! Logo Logo, crítica detalhada do Livro aqui no Web Benção!


Sherlock Holmes: Os fãs criticaram. Acharam que a personagem não foi respeitada. Pois bem... Leio os livros e os contos do Conan Doyle desde os meus 12 anos de idade e, devo dizer, que nunca, em toda a minha vida, vi Sherlock Holmes soar tão real quanto na voz de Robert Downey Jr. Não se trata de um filme de ação, apenas, mas de uma homenagem a um herói de outros tempos, que usava o cérebro para derrubar um oponente. Com as características tradicionais do verdadeiro Holmes, que os verdadeiros leitores conhecem (um homem excitado com a descoberta, um Dr. House vitoriano, em busca da verdade absoluta, custe o que custar, misógino, egocêntrico, mas, ainda assim, preocupado com aqueles que o cercam). Faltou mostra-lo viciado em heroína, cocaína e ópio, o que nossos tempos politicamente modernos não permitem mostrar. Para os fãs que reclamaram, vão reler seus livros e ver se aquele Holmes escrito por Conan Doyle não é o mesmo que Downey Jr. tão poderosamente interpretou no cinema!

 

Blog Sonhos de Luciana - Há um tipo de marketing assistencialista nas novelas que eu não gosto. É o Marketing a lá Glória Perez, que mostra, cansativamente, pessoas que sofrem com seus filhos desaparecidos, ou com sua cegueira, ou com alguma outra forma de deficiência e exclusão. Esta forma pedante é fruto de um pensamento de “cumprimento de dever”, como se tivéssemos que suportar aquela exposição da dor alheia para que pudéssemos nos conformar com a nossa dor, tão pequena, se colocada em perspectiva.

Porém, uma nova linguagem está surgindo no assistencialismo na teledramaturgia, e vem pelas mãos do autor Manoel Carlos que, na minha opinião é, hoje, o maior escritor de novelas do Brasil. Primeiro, ele permite que pessoas dêem seus testemunhos reais no final de cada capítulo de Viver a Vida, sua obra mais recente. Vemos cadeirantes, cegos, mulheres abandonadas, ex-moradores de rua, todos eles contando suas histórias. Com uma diferença para o formato Glória Perez. Eles fazem com que nos sintamos bem por eles terem conseguido sair de situações complicadas e vencer. O tom de Manoel Carlos é otimista, prá cima, e não tem nada de assistencialista.

Porém, não foi para falar da novela (que está ótima, aliás, apesar da triste trilha sonora, só salva pelo tema de abertura) que vim aqui, mas para falar de uma outra faceta deste novo assistencialismo. A personagem de Alinne Moraes na Novela, a Luciana, lançou um Blog na novela e ele acabou por se tornar um blog real. http://especial.viveravida.globo.com/sonhos-de-luciana/ é um sucesso de público, visitas e conteúdo, mostrando o dia a dia da cadeirante Luciana, suas lutas, derrotas e vitórias.

Ta certo que o blog peca às vezes nas matérias, como a que fala sobre a infecção urinária que Luciana enfrentou e que entra em uma série de detalhes delicados que, por mais que um paciente conheça, não terá tanta fluência para falar deles, ou os comentários mentirosos, postados pelo próprio blogger da Globo, o que tira muito do realismo da empreita.

O que importa é que é uma voz efetiva na luta dos direitos dos cadeirantes. Parabéns à Globo pela evolução do Merchandising. As novas linguagens estão perfeitas. Mas, por favor, todo mundo com a mesma marca de carro na novela inteira? Eu acho que a Mercedes odeia o Leblon depois de Manoel Carlos...



Amor

Ouvimos falar do amor em músicas, poemas, novelas, histórias de amigos. Vivemos o amor todos os dias, com nossos cônjuges, pais, mães, irmãos, filhos, amigos, namoradas. O amor faz parte de nossa humanidade, e exerce-lo é parte intrínseca de cada um de nós.

Porém, não exercemos o amor em sua plenitude. Nos permitimos viver o amor pela metade, nos contentando com um pouco dele, quando podemos te-lo profundamente habitando em nós. E não apenas o amor entre homem e mulher, mas todas as formas de amor.

Leo Buscaglia é um professor de origem italiana nos Estados Unidos e, nos anos 60, teve uma idéia bastante interessante: ele queria criar uma aula que falasse sobre o amor. Chamou a classe simplesmente “Amor”. ele queria discutir academicamente o assunto mais importante de toda a existência da humanidade, algo que, até então, não era feito.

Se pararmos para pensar, é verdade. Pouco se discute o amor, um assunto realmente importante na vida de todo ser humano. Não falamos sobre isso, não chegamos a conclusões quaisquer que sejam sobre o poder de amar e sermos amados.

A aula de Leo fez tanto sucesso que ele a transformou em livro. “Amor” (Editora Nova Era, 27a Edição - 2009) fala sobre nossos anseios e medos. Fala sobre as dúvidas que carregamos em nossas vidas e que pouco discutimos.

O texto é fluído, sofrendo, apenas, pela fraca tradução da editora, que, parece, não o revisou. Porém, apesar de prejudicada por este aspecto, a história é agradável e leve, não trazendo aspectos técnicos que se discutiria em uma sala de aula. Leo traz para a gente o amor como exercício diário, desafiando-nos a vive-lo sem medidas, ainda que a recíproca por parte do mundo não seja verdadeira.

O fato é que o desafio de amar é a grande aventura da vida. Atrever-se a fazer isso é correr o risco de ser feliz, e, sinceramente, nem todos estão preparados para isso, ainda que isso seja o melhor no final.

O ser humano é triste. Isto está em sua essência, sua natureza é miserável. Seus dias são contados, ele vive doente, buscando ganhar mais, sempre na expectativa, sempre insatisfeito.

Tal estado de insatisfação é a zona de conforto em que vivemos todos os dias. Sair daí não é para qualquer um, mas é necessário para todos. Faz crescer e entender que uma série de coisas não são, na realidade, importantes.

Aliás, o que é importante, na verdade? Leo nos mostra: amar sem medidas, erguendo um brinde à vida e à satisfação de viver! Interessante que o autor tenha morrido 12 anos atrás no dia dos namorados (12 de Junho de 2008). Para que se pudesse comemorar o amor no céu, chamaram o melhor professor.



Deixo, abaixo, uma frase de outro livro deste mesmo autor. “Vivendo, Amando e Aprendendo”

“Os riscos têm que ser corridos, pois o maior risco na vida é não arriscar nada. a pessoa que não arrisca nada não faz nada, não tem nada, não é nada e não se torna coisa alguma. Pode evitar o sofrimento e a tristeza, mas não pdoe aprender, sentir, modificar-se, crescer, amar e viver. Acorrentado por suas certezas é um escravo, privado do direito de sua liberdade. Somente a pessoa que arrisca é verdadeiramente livre”





“Amor”

Leo Buscaglia

Editora Nova Era (grupo Record)

27a Edição (2009)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Anseio Furioso de Deus

 
Muitas pessoas têm se tornado reféns em suas próprias casas, presas atrás de muros altos, grades, sistemas de vigilância, entre outros artifícios que devolvem a elas a segurança perdida, especialmente nas grandes cidades. Estes e outros problemas da vida moderna têm levado cada vez mais pessoas a se refugiarem também na fé, a buscarem uma religião que devolva a elas a esperança perdida.

Da parte de Deus, o ser humano é o que ele considera como mais precioso em toda a criação. E nada é capaz de separá-lo de seu amor “furioso”. A partir desse princípio, Manning escreve O anseio furioso de Deus (Mundo Cristão), no qual ensina os leitores a viver nesse amor e a confiar em Deus.

Cada pessoa tem a capacidade de tomar suas próprias decisões, têm liberdade para escolher seus caminhos. A isto Deus dá o nome de livre-arbítrio. Por mais que as escolhas pessoais afastem as pessoas de Deus, seu olhar sobre elas não se perde, seu amor não diminui, e ele fará de tudo para encontrá-las e trazê-las para perto de si. Esta é a ideia de Brennan Manning, que utiliza sua própria experiência como exemplo.

A obra fala sobre um relacionamento pessoal de profundo amor com Deus, um amor incondicional, de abnegação, o amor com o qual Deus ama o homem. Deus nos ama e espera que cultivemos uma relação íntima com ele. É para esse anseio divino que Manning desperta e conduz seu leitor.
A imagem que dá origem a essa ideia de amor apresentada por Manning, a qual se faz presente na capa do livro, é a de um barco em alto mar, atingido por nuvens pesadas, por ventos fortes e pelas águas agitadas pela fúria de uma tempestade desenfreada. A analogia se faz entre essa cena de poder insuperável da natureza e a intensidade do amor de Deus pelo homem.  

Ao final de cada capítulo, o autor aponta algumas perguntas e reflexões, cujo objetivo é fazer o leitor parar e meditar sobre o tema tratado. Como consequência, grandes mudanças de atitude no relacionamento com Deus acontecerão.



Sobre o autor

Batizado Richard Francis Xavier, Brennan Manning nasceu e cresceu em um subúrbio de Nova York. Apesar das dificuldades que sua família enfrentou, conseguiu entrar para a Universidade St. John, da qual sairia para servir no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos durante a Guerra da Coreia. De volta à vida civil, Manning tentou estudar jornalismo na Universidade do Missouri, mas seus questionamentos pessoais e a palavra de um conselheiro o levaram a um seminário católico. Em 1960, graduou-se em Filosofia e, posteriormente, em Teologia, pelo Seminário St. Francis. Brennan Manning utiliza suas experiências pessoais e também sua trajetória de fé como fonte para escrever seus livros e ministrar palestras, sempre com o objetivo de comunicar o amor incondicional de Deus em Jesus.


Sobre a obra

ISBN: 978-85-7325-600-0
Páginas: 112
Tamanho: 14x21
Categoria: Espiritualidade
Preço: 16,90

domingo, 24 de janeiro de 2010

E Agora José?

 “E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?”


Carlos Drummond de Andrade , do poema “José”



E agora, José? Diante de todas as dificuldades e desafios, frente às lutas do dia a dia, enfrentando a dor e o cansaço, onde podemos buscar esperança?
Perguntas demais tomam nossas mentes nos momentos de maior dificuldade em nossas vidas. Questionamentos honestos que muitas vezes fingimos não fazer, mas que no âmago de nossos corações, falando baixinho, mergulhados em nossa solidão, temos coragem de encarar:

“Onde Deus estava, que permitiu isto?”

“Dias Melhores Virão” (Thomas Nelson Brasil Editora – 2007) de Max Lucado, desfia o novelo do aparente abandono do Homem por Deus. Encarando os rudes mares de nossa vida, achamos que estamos sozinhos dentro do barco à deriva diante das ondas da depressão e da amargura, e é justamente nesta hora que Max Lucado nos mostra que Jesus está conosco no barco e que, justamente as ondas que nos fazem tremer, fazem Jesus dormir.

Entender que Deus tem sua forma de agir e pensar e que esta forma é totalmente diferente da nossa e que, por muitas vezes, é até agressiva e ofensiva, é o que Max Lucado quer nos explicar ao longo do breve texto. Enxuto, escrito sobre base bíblica, o livro mostra uma face um pouco diferente do autor, que exemplifica menos e contextualiza de forma diferente. Ao invés de trazer a bíblia para os nossos dias, Max ousa nos levar aos tempos bíblicos para que vejamos, da ótica daqueles que acompanharam Jesus, a forma como o Senhor dos Senhores age e ama.

Fruto do entendimento da forma de agir e pensar de Deus, aliás, é a compreensão de seu amor por nós. Achar que Deus está “agindo de forma estranha” é normal, justamente por que não entendemos seu amor tão grande. Tão grande a ponto de se entregar por nós.

O texto é composto por ensaios que se somam no mesmo assunto. Vê-se que foram escritos em momentos diferentes, com propósitos diferentes, mas mantém uma coerência inacreditável e uma coesão absolutamente fascinante. De fácil e breve leitura, tem conceitos úteis que podemos aplicar em toda a vida: desde em nosso relacionamento com nossos filhos até a relação com a morte e com o sentimento de vingança.

Um livro que, mais do que ser lido, deve ser aplicado justamente quando perguntamos: “E agora, Jesus?”

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Complexo de Messias


Nós sofremos demais por acreditar que somos diferentes de toda a sociedade. Sofremos por pensar que temos um peso maior do que o resto do mundo para carregar. Sobre nossos ombros jaz o cadáver do Deus Perfeito, que se fez carne e habitou entre nós, e nós vimos sua glória.
Então ele morreu.
E a história nos mostra que Ele morreu por nós, para que nossos pecados fossem perdoados.
Então, paramos de ver a sua glória e tudo o que sentimos é o peso de sua cruz sobre nossos ombros cansados e nossas vidas combalidas.
Sofremos do que chamo de “Complexo de Messias”, que é uma derivação do “Complexo de Superioridade” e consiste em crer que eu tenho um papel fundamental dentro do grande plano universal para a humanidade e que, graças a mim, o mundo será transformado.
Em nossa vida, nós buscamos três coisas básicas: satisfação, uma liderança a seguir, um propósito a alcançar. O complexo de messias se baseia nesta terceira busca que temos. O propósito. Quando olhamos para o céu, vemos as estrelas e questionamos como, sendo tão pequenos, podemos ser escolhidos? Aí pensamos na infinidade do poder de Deus e na enorme distância que nos separa dele. A cruz pesa um pouco mais sobre nossos ombros. O cadáver do Deus Perfeito ainda está quente em nossa mente. Seu sangue ainda escorre em nossas roupas. Não podemos decepcioná-lo.
Aí o complexo nos toma. Não podemos decepcionar a Deus. Pregadores falam sobre servir ao Senhor com todo o seu coração. Falam sobre as imperfeições de cada um de nós, sobre o quanto somos ridículos, que temos que entregar nossas vidas a Jesus.
E tudo parece fazer parte de um plano onde o nosso esforço é a mola mestra para nos levar a Cristo. E muitos de nós passam a vida inteira tentando construir uma ponte sobre o abismo, sendo que, com o sacrifício de Jesus, o abismo já não está mais lá.
Contra este Complexo de Messias, indico Brennan Manning e seu evangelho maltrapilho. Manning aprendeu a duras penas (vítima do alcoolismo) o valor da graça, e o fato de que, não sendo perfeito, Deus o amava mesmo assim. Ele se livrou do complexo de messias e da necessidade de ser perfeito diante de um Deus que entende nossas imperfeições.
Mas nem por isso paralisou a busca por aperfeiçoamento. No jornalismo, um conceito muito famoso é a “Objetividade possível”, que diz que nós nunca conseguiremos chegar à verdade, pois o fato já aconteceu e a verdade é algo que está no passado. Porém, por meio do maior número de versões, informações, nós podemos chegar próximos da verdade, buscando sempre por ela. Na vida cristã, o conceito se mostra o mesmo. Nós nunca seremos perfeitos, mas nem por isso devemos deixar de tentar alcançar a perfeição.
Eu escrevi tudo isso apenas para falar sobre o livro “Meditações para Maltrapilhos”, de Manning. Ele combate até o fim o Complexo de Messias e nos mostra que, mesmo imperfeitos, somos amados por Deus, que quer que entreguemos o controle de nossas vidas em suas mãos.
Meditações é um livro devocional para se ler durante um ano. Compila o melhor do pensamento deste autor, que entende a graça como nenhum outro que eu tenha lido anteriormente. Manning acredita que as coisas estão erradas e o início do erro está naqueles que tem o papel de apresentar a Cristo para todos nós.
Hoje, Cristo é uma mercadoria de troca no mercado da fé. Em muitos lugares, o que ouvimos sobre nosso Senhor não tem qualquer analogia com o que é real. Vemos um Cristo que não quer mudar a humanidade, que a aceita como está, e tudo o mais. Este é o oposto absoluto ao Complexo de Messias: a humanização exacerbada de Deus.
Ele é perfeito e nos ama imperfeitos. Não tem pecados, mas nos ama pecadores. Mas isso não quer dizer que aceite a situação que vê em nossas vidas.
Dentro deste paradoxo (a perfeição de Deus contra a imperfeição do homem), Manning transmite as boas novas de que, ainda que andemos pelo vale da sombra da morte, a mão do Senhor ainda segura a nossa mão, e seus olhos ainda olham nossos olhos, e todo o peso de “responsabilidade e culpa” podem sair de nossos ombros.
Leia Manning e você entenderá o que estou dizendo. Deus te ama, mas quer te transformar. Ele não quer que você o faça sozinho, ou que tente merecer o Seu amor (você nunca conseguirá isso). Ele só quer que você o ame, e, por meio deste amor, encontre o verdadeiro Messias, que não é você.

Meditações para Maltrapilhos
Brennan Manning
Editora Mundo Cristão
2008

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Um bom ano!



Um bom ano começa com um “bom dia”. Um “por favor” e um “obrigado” também ajudam. Cortesia é tudo, abre portas e permite que vejamos e sejamos vistos de outra forma.


Além da cortesia, o pensamento positivo. Mas não o pensamento positivo que vemos por aí, e sim a idéia que gera a ação. Atitude que gera força de vontade para transformar um ano que podia ser igual a todos os outros em um tempo especial, de realizações.


Aliás, realizações lembram promessas. E um bom ano começa com poucas promessas e muito planejamento. Promessas, esquecemos de cumprir, já planejamentos estimulam, motivam e nos fazem acreditar.


Acredite! Acredite que 2010 será um ano de conquistas. O novo emprego, o novo amor, o novo carro, a nova casa, em um novo ano. Não deixe 2010 envelhecer antes do tempo. Ele só pode ficar velho em 1º de Janeiro de 2011. até lá, tem que ter cheiro e cara de ano novo o tempo todo.


Só conseguimos ter este espírito de ano novo o ano todo se não ficarmos esperando pelo ano novo de novo. Em 2010 viva 2010, não espere 2011. a mesma quantidade de pores de sol que você perderá esperando 2011 você poderia assistir vivendo o ano novo que começa amanhã.


Faça novos amigos, mas não abandone os bons (não velhos, pois velho é coisa do passado). Tenha um novo amor (ainda que seja pela mesma pessoa). Renove as esperanças e tenha grandes planos (mirabolantes, também, pois o lirismo não pode deixar de existir no bom ano de 2010).


Quando 2010 se for, espero que você se lembre dele não como o ano que passou, mas o bom ano, que não perde sua força por que se foi, mas que fica na memória, gravado, nos preparando para os novos (e bons) anos que ainda estão por vir!

Que Deus o abençoe!

João Thiago

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